
Os Whitesnake iniciaram a 21 de Maio de 2009, a digressão mundial intitulada «God To Be Bad», na Noruega, com um concerto no Festival de Rock de Sandnes. Aproveitando a estadia dos Snake, Bard Ose, jornalista da Rádio norueguesa NRK, dedicada ao Rock, entrevistou David Coverdale. Uma conversa no início da Tour 2009, que esperamos venha a incluir Portugal, onde o ‘frontman’ da Serpente Branca falou sobre o seu percurso como músico e sobre o que espera desta digressão.
OSE: Esperamos muito tempo por ti e pela tua banda aqui na Noruega, estamos numa excitação absoluta para ver o que nos trazem…
COVERDALE: Pois, para nós também é realmente excitante estar aqui. É uma grande aventura tocar na terra dos vikings.
OSE: Qual é o maior desafio para ti, hoje, em termos de rock & roll? Afinal, depois do sucesso conseguido em todo o mundo não deve ser fácil estar sempre na mó de cima, é um desafio bastante grande…
COVERDALE: Bem, não considero que sejam desafios, vejo as coisas como oportunidades. Por exemplo, a oportunidade de fazer um novo registo - «Good To Be Bad» - tantos anos depois, quando realmente nunca planeei isto, e ver que o álbum está a ser bem aceite… Foi uma grande oportunidade para mim.
Antes, fazíamos tournées a cada três anos, portanto todas as canções eram frescas. Agora fazemos digressões todos os anos e algumas músicas começam a ficar velhas, para tocar ao vivo, percebes? Assim para ter novas canções, para injetar energia fresca, foi uma oportunidade fantástica. No entanto, posso usar a expressão "desafio", porque considero estar a manter um bom nível, sou capaz de cantar e executar correspondendo às expectativas dos fãs.
OSE: Surpreendeu-te o êxito que «Good To Be Bad» está a ter?
COVERDALE: Sim. Foi uma surpresa muito bem-vinda. Eu e o Doug Aldrich fizemos canções que são uma grande mistura do carácter e identidade dos Whitesnake. Penso que Deus e os anjos estiveram connosco…. e também o espírito de viking!!
OSE: Há 30 anos, havia muita gente jovem nos concertos. E agora há também muita gente jovem no público. Há uma nova geração lá fora. O que pensas disto?
COVERDALE: É muito interessante. Primeiro notei este facto há vários anos atrás na Escandinávia, na Suécia. Eu vi o público, e pensei: «Wow, essa gente tem 14-15-16 anos». E era no mínimo um terço do público. Tive oportunidade de falar um pouco com eles que me disseram não se identificarem muito com a nova onda do Heavy Metal, ondas Trash e outras… preferem o bom Rock clássico. Portanto eles são muito, muito bem-vindos aos concertos dos Whitesnake.
Num almoço que tive à pouco tempo com o Paul Stanley dos Kiss, discutíamos que este é um tempo especial para ser um músico de Rock clássico. Nenhum de nós estava emocionado com a idéia de fazer parte de uma banda jovem, de começar agora nestes tempos excepcionais. Estamos todos muito agradecidos por ainda termos oportunidade de tocar e cantar para multidões entusiásticas.
OSE: Imaginavas isto há 30 anos?
COVERDALE: Absolutamente. Não fiz nenhum plano para que isto fosse uma realidade.
OSE: O que planeavas? Uma vida tranquila?
COVERDALE: Bem, eu tinha-me retirado há vários anos, e tinha-me mudado para o Lago Tahoe, um grande lago de montanha, muito bonito, uma área florestal, montanhosa e nenhuma indústria. Aquilo sim, é muito tranqüilo. Mas os Whitesnake são um projecto de continuação. A cada ano que passava havia um aniversário a comemorar ou uma compilação de temas a ser publicada. Há seis anos tomei a decisão de voltar, mas apenas por alguns meses por ano, como uma espécie de terapia para mim. Acontece que isso se converteu numa grande aventura e agora dedico-me de corpo e alma aos Whitesnake.
OSE: Ainda adoras o estúdio, a estrada, os fãs…
COVERDALE: Totalmente, ou não estaria a fazer isto.
OSE: Que conselho terias dado ao jovem David Coverdale, se fosse iniciar a sua carreira hoje?
COVERDALE: Faça exactamente como fez. Cometa os mesmos erros e crie os mesmos êxitos.
OSE: Terias feito na mesma o álbum «Northwinds», após a saída dos Deep Purple?
COVERDALE: Sim. Quando saí dos Deep Purple não recebi apoio nenhum da parte dos empresários da banda. Saí com a sensação de que era o novato do grupo, embora tivesse sido responsável por muitas canções nos três anos em que estive com os Deep Purple. Eu era o último cavalo em que esles apostariam.
Assim, quando fiz o meu primeiro disco a solo, ele pareceu-se com todas as espécies diferentes de música de que gostei. Com os Deep Purple, foi fácil para mim escrever naquela direção do Hard Rock. Mas vou dizer-te… amei o Soul, amei os Blues, amei a canção melancólica e ainda amo. Assim, "Northwinds" é muito mais do que o projeto que seviu de base para os Whitesnake.
Não pensava muito em mim, mas sim de que maneira as minhas músicas podiam ser importantes para as pessoas. Quando tive um site interactivo, foi interessante verificar que as pessoas seguiam a minha carreira e ouviam as minhas canções como parte do “som” da vida delas. Respeito muito tudo isso.
OSE: Na nossa Rádio de Rock a canção dos Deep Purple mais pedida pelos ouvintes é «Soldier Of Fortune»…
COVERDALE: Sim, há uma história interessante sobre essa canção. O Ritchie Blackmore e eu realmente gostamos muita da canção. Mas os outros músicos dos Deep Purple estavam muito relutantes. Eles não compreenderam a canção em absoluto. Portanto Ritchie e eu optamos por executá-la apenas os dois. Eles ouviram e disseram: «Ok vamos tocá-la», mas sem o entusiasmo que esperávamos. O Ritchie não ficou nada satisfeito com aquilo e disse que era a última vez que fazíamos algo assim. Penso que foi o primeiro argumento para ele deixar a banda. Adoro «Soldier Of Fortune»… é um tema que ganhou vida própria com o passar dos anos.
OSE: Os Deep Purple reiniciaram a sua carreira por três vezes. Primeiro quando deixas-te da banda, depois quando Jon Lord e Ian paice saíram dos Whitesnake e agora uma terceira vez…
COVERDALE: Considero isso normal. Também parei com os Whitesnake para trabalhar com Jimmy Page durante um par de anos. Eu era admirador de Page muito antes dos Led Zeppelin. Fui um enorme fã dos Yardbirds e mantivemos uma grande amizade. Penso que me retirarei mais vezes do que Frank Sinatra…ah!ah!ah!
OSE: A maior parte das tuas canções são muito pessoais. Isso leva as pessoas a ligarem-se com facilidade…
COVERDALE: Sim, a maior parte das minhas canções são histórias de vida, mesmo as que falam de sexo. Elas têm de vir de alguma inspiração. «Here I Go Again», por exemplo, é um enorme hino ao poder do Rock em todo o mundo, foi escrita no período em que o meu primeiro casamento chegou ao fim. Mas sempre que alguém ouve «Here I Go Again», ouve-a como uma história muito pessoal para cada um deles. Quando alguém me pergunta sobre a história de certa música, respondo sempre que é «sobre o que você quer que ela seja», porque para mim eu sei o que ela significa.
OSE: O que podemos esperar da Tour 2009?
COVERDALE: Penso que os fãs vão encontrar um bom equilíbrio dos Whitesnake. Este ano temos o 25º aniversário de «Slide It In», e o 20º aniversário «Slip Of The Tongue», e obviamente tocamos algumas canções desses dois álbuns. Será uma boa mistura. Por ouro lado acho que é tempo de se retirar «Ain’t No Love In The Heart Of The City», depois de tantos anos a ser tocada ao vivo. Esta música está disponível em DVD, em registos ao vivo e na memória de toda agente. Ao retirarmos «Ain’t No Love In The Heart Of The City», dá-nos a oportunidade de tocar mais canções nos concertos. Bom, o melhor mesmo é ir ver os Whitesnake e tirar as ilações.
1 comentários:
WHITESNAKE FUCKING RULES!!!!
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